Os destaques da classificação em Curitiba
Data: 03/06/2009
Por Alexandre Corrêa (texto) e
Alexandre Lops (fotos)
Enviados especiais/Curitiba
Lauro
Durante todo o primeiro tempo, quando o Coritiba mais pressionou, o goleiro Lauro foi decisivo. Seja nas saídas de soco do gol, seja nos momentos de acalmar um pouco o jogo, matar tempo cobrando tiros de meta mais lentamente. Mas a sua grande ação dos primeiros 45 minutos foi uma defesa salvadora aos 16 minutos, quando Carlinhos Paraíba chutou forte e rasteiro da entrada da área para o goleirão se esticar todo e evitar que a bola entrasse, desviando para escanteio.
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Na etapa final, Lauro foi ainda mais perfeito. Tirou todos os cruzamentos de soco e fez mais defesas sensacionais. No gol de Ariel, não havia o que fazer. O chute foi rasteiro, cruzado e surpreendente. Mas o gol pouco importou. Importou foi a atuação sensacional de Lauro.
Reconhecimento do gramado
Jogador de futebol gosta de partidas como esta. Estádio cheio, pressão, decisão. E para sentir o clima do Couto Pereira, o time colorado foi fazer o reconhecimento do gramado cedo. Quando ficaram visíveis aos torcedores, depois de saírem do túnel, a vaia foi grande. Mas os jogadores nem piscaram. Pelo contrário, andaram tranquilamente pelo campo até a vaia arrefecer e sumir. Ficaram por um bom tempo como se desafiassem os xingamentos do time curitibano. Depois, voltaram para o vestiário a passos lentos.
Colorados lotam sua fatia do Couto Pereira
Oficialmente foram 3.400 colorados no Couto Pereira, capacidade máxima destinada pela direção do clube paranaense. Mas o que se ouviu no estádio foi como se houvesse 10 mil. Desde cedo, os colorados cantaram forte em busca do apoio ao time do técnico Tite. Foi um festival de músicas de incentivo, tradicionais nos jogos do Beira-Rio. Os torcedores do Coritiba, ao invés de cantar suas próprias músicas, vez por outra decidiam era xingar a minoria colorada. A maior e melhor torcida do Rio Grande nem ligou e seguiu cantando e confiando no time.
A torcida não desanimou nem com o gol do Coritiba, no segundo tempo. Seguiu confiando e gritou forte nos últimos minutos ajudando a aguentar a pressão. E a recompensa veio no final com a classificação. Os jogadores do Inter então correram pra frente da torcida e fizeram uma grande festa. Juntos, torcida e time são muito fortes.
Time na campanha contra o crack
Os jogadores colorados entraram em campo com a camisa da campanha contra o crack, a droga composta por cocaína que vitima milhares de pessoas no Estado.
Tática anti-pressão
Para resistir à pressão anunciada pelo Coritiba, antes mesmo do jogo, o técnico Tite apostou num forte bloqueio na frente da área com seus quatro defensores e três volantes. O máximo que concedia era a intermediária, onde os meio-campistas paranaenses tentavam arriscar de longe, sem perigo.

Magrão luta pela bola no Couto Pereira
Sem poder penetrar na área do Inter, o Coritiba buscava cruzamentos para a área e jogadas de bola parada. Daí surgiu o bom posicionamento da defesa na bola aérea, ganhando praticamente todas. E quando tinha a bola, a tática era tocar a bola, de pé em pé, gastando o tempo e arrefecendo a equipe adversária.
No segundo tempo, o Inter não ficou só atrás. Saiu para os contra-ataques e levou perigo em vários lances, principalmente com conclusões de Alecsandro e Giuliano. E teve muito perto de marcar seu gol.
Um frio de rachar
Um frio de quase zero grau em Curitiba. E o time colorado entrou em campo de mangas longas, naturalmente. Menos um jogador: D´Alessandro não deu bola para a temperatura e foi a campo de mangas curtas;
D´Alessandro chora de emoção
O meia argentino parece ter sido criado nas categorias de base do Inter, tamanha a identificação com o clube. Acabada a partida, ele e Taison partiram para frente dos torcedores colorados e comandaram a festa vermelha na noite paranaense. Depois, emocionado, chorou, lembrou da família e foi aos prantos para o vestiário. O choro do guerreiro.

D'Alessandro (C) comemora a classificação junto aos companheiros
Tite na sua terceira final
O técnico Tite completará um ano à frente do comando técnico do Inter no próximo dia 12 de junho. Desde que chegou ao Beira-Rio, o treinador disputou três finais: foi campeão da Copa Sul-Americana, em 2008, e Gauchão, em 2009, e agora poderá particpar da conquista do bicampeonato da Copa do Brasil.