Fotos: momentos marcantes do Inter pelas lentes de Telmo Curcio
Data: 05/12/2013
O corte da fita inaugural do Beira-Rio em 1969; o primeiro gol do estádio anotado por
Claudiomiro ou a taça do Brasileirão sendo erguida pelos jogadores na década de 1970. Estes são alguns momentos históricos do Internacional capturados pelas lentes de Telmo de Curcio da Silva (foto ao lado).
Profissional de alto gabarito e torcedor colorado, o falecido fotógrafo foi personagem de uma matéria da Revista do Inter de março de 2007, oportunidade na qual seu filho doou o material do seu trabalho para o Clube.
É um verdadeiro legado de imagens da história do Campeão de Tudo que foi deixado para toda a nação colorada. Confira abaixo a reprodução da reportagem e de algumas das fotos emblemáticas feitas por Telmo Curcio.
Fita da inauguração do Beira-Rio sendo cortada em 6 de abril de 1969
Time posa para foto antes de a bola rolar pela primeira vez no gramado do Gigante
Claudiomiro está marcando contra o Benfica o primeiro gol da história do Beira-Rio
Geraldão enfrenta a marcação de Batista em clássico Gre-Nal dos anos 1980

Taça do Brasileirão nas mãos dos jogadores nos anos 1970
Torcida colorada na antiga 'Coreia'

Mário Sérgio exibe sua técnica em duelo no Beira-Rio

Foto clássica da voadora de Luiz Torres em Gre-Nal de 1977
Revista do Inter - Edição Nº 13 (março de 2007)
O fotógrafo torcedor
Família de Telmo Curcio da Silva doa suas fotos ao Inter e colegas revelam o lado torcedor do fotógrafo, falecido no ano passado.
Por André Baibich
Em outubro passado, Telmo Curcio da Silva chegou ao Beira-Rio com um pacote de fotos de seu pai, Telmo Curcio da Silva. Fotógrafo com quase três décadas de experiência e três Copas do Mundo na bagagem (74,78 e 82), ele havia falecido 4 meses antes e seu filho resolvera doar o material de seu trabalho para o clube.
A ideia surgiu quando a mulher de Telmo, Silvana de Borba, resolveu organizar a grande quantidade de fotos que seu marido havia deixado. Ela sugeriu ao filho que ligasse para o Inter e perguntasse se o clube tinha interesse no material. Imediatamente, ele concordou. “Elas seriam bem mais úteis ao Inter do que fechadas em casa”, afirma.
O filho do fotógrafo então viajou de Florianópolis, onde mora, até Porto Alegre para entregar as fotos. Com sua doação, fornecia ao Inter imagens de momentos históricos do clube, como a inauguração do Beira-Rio e o primeiro gol no estádio, ou a conquista dos títulos brasileiros na década de 70.
Telmo Curcio da Silva não escondia que era colorado. A trajetória deste fotógrafo se confunde com momentos de glória do clube e algumas das imagens capturadas por ele estão gravadas na mente dos torcedores. Entre elas, a da folclórica voadora de um torcedor no árbitro Luiz Torres, em um Gre-Nal de 1977.
Uma das jogadas mais célebres da história do clube também foi capturada pelas lentes do fotógrafo. A famosa tabela de cabeça de Falcão e Escurinho, em partida contra o Atlético-MG, que terminou com a finalização de Falcão, teve visão privilegiada de Telmo. Ele postou-se no local para o qual o ídolo colorado correu para comemorar o gol. O resultado foi uma seqüência de fotos de toda a jogada que hoje está estampada em um dos túneis de acesso ao gramado do Estádio Beira-Rio.
"Colorado doente”
O fotógrafo Fernando Gomes, do jornal Zero Hora, foi contratado em 1979, na época em que Telmo Curcio era o editor de fotografia da publicação. Telmo foi quem o entrevistou e o escolheu. Gomes lembra da pergunta mais estranha que recebeu naquela entrevista: “e aí, tu é gremista ou colorado?”.
Gomes descreve Telmo como um “colorado doente”, que chegava a ir ao Beira-Rio em dias de jogos para capturar imagens de seus ídolos por prazer. Nessa época, o fotógrafo já trabalhava no arquivo do jornal, ou seja, já não tinha mais a função de repórter fotográfico. Mas o esporte e o Inter eram grandes paixões de Telmo e em dia de jogo ele botava a máquina embaixo do braço e seguia para o Gigante.
Luiz Ávila, outro colega de Zero Hora, lembra que Telmo comprou uma camiseta infantil do Inter logo que seu filho nasceu. Ávila ainda recorda que seu colega costumava comprar carros vermelhos e era amigo próximo de grandes nomes colorados como Manga, Falcão e Escurinho. Valdir Friolin, outro a ter trabalhado com Telmo, lembra que ele costumava pedir e ganhar camisetas dos jogadores.
Na década de 90, quando Telmo mudou-se para Santa Catarina para trabalhar no jornal Diário Catarinense, ficou mais difícil acompanhar o clube do coração. Mesmo assim, sua mulher lembra que ele “fazia milagres para pegar as rádios do Rio Grande do Sul e poder torcer pelo Inter.” O fotógrafo postava-se ao lado do rádio com uma nota de dinheiro amarrada, o que supostamente “tranca” o time adversário.
Mas o lado torcedor não impediu Telmo de se tornar um dos principais profissionais de sua época na área da fotografia. Segundo o colunista da Zero Hora e comentarista da Rádio Gaúcha, Ruy Carlos Ostermann, “Telmo foi uma das principais lideranças da fotografia. Tinha iniciativas e afirmações importantes e era um dos primeiros grandes profissionais da área.”