Os 100 jogos de Andrezinho
Data: 25/08/2009
O meia-atacante Andrezinho completará 100 jogos no duelo contra o Santos, nesta quarta-feira, na Vila Belmiro, pela 16ª rodada do Brasileirão. Para registrar a marca, o site reproduz uma matéria especial sobre o jogador, que foi publicada na edição 37 da Revista do Inter. Confira!
No embalo da bola
História de vida de Andrezinho se confunde com sua carreira futebolística
Por Felipe Silveira
Na idade em que a maioria das crianças está brincando, sem compromissos com responsabilidades, Andrezinho já estava vestindo a camisa do Flamengo. Com apenas nove anos de idade, deixou a família na pequena cidade de São José do Rio Pardo-SP e foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Foi na escolhinha do ex-jogador Rondinelli (zagueiro raçudo que defendeu o Flamengo na década de 70), que Dé, como é conhecido pelos amigos, deu os primeiros toques na bola. Rondinelli, que até hoje é uma espécie de conselheiro pessoal do jogador, tinha um convênio com o clube carioca e o levou para fazer o teste na Gávea. Aprovado, passou a morar no alojamento do Flamengo. “Tudo foi muito prematuro na minha vida. Era o jogador mais novo que morava no alojamento. Dependia dos jogadores mais velhos para fazer uma série de coisas, como aquecer o leite, por exemplo. Lembro que deitava na cama e chorava muito, sentindo falta do beijo de boa noite da minha mãe”, recorda.
A saudade da família só foi amenizada graças à parceria dos companheiros, que mais tarde viriam a se consagrar no futebol. Adriano, o Imperador, Ibson, André Bahia e Felipe Melo foram contemporâneos de Andrezinho no clube rubro-negro. “Fiquei muito amigo do Adriano. Todos os finais de semana ía para a casa da mãe dele”, conta o meia-atacante colorado. Aos 15 anos, foi convocado, junto a Adriano, para a Seleção Sub-17. Um ano depois, já integrava o time profissional do Flamengo. As convocações para as seleções de base não cessaram: o jogador participou de sul-americanos e mundiais pelos times Sub-17 e Sub-20 e um torneio pela Sub-23, no Qatar.
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O sucesso prematuro do jogador, hoje com 25 anos, pode ser comprovado por números. Aos 20 anos, já havia defendido o Flamengo em 100 partidas. Andrezinho praticamente saltou da equipe juvenil para o time principal. Não demorou para que uma proposta surgisse para atuar no Exterior, mais precisamente do outro lado do mundo, no Pohang, da Coreia do Sul. Sem saber quase nada sobre seu novo destino, o jogador deixou mais uma vez tudo para trás na busca pela realização profissional. “Fui para lá porque a proposta era irrecusável. O Flamengo passava por um momento difícil e eu abracei a causa”, revela.
Apesar das dificuldades com a língua e alimentação, Andrezinho acabou virando ídolo nos quatro anos em que ficou na Ásia. Já no primeiro ano, ganhou dois prêmios ao final do campeonato nacional, o de jogador revelação e melhor meio-campo. Teve também o melhor índice de assistências (19 passes para gols) da K-League, virtude bastante valorizada pelos sul-coreanos. Nas temporadas seguintes, foi três vezes o melhor meia, e no seu último ano na Coreia, participou da conquista do título nacional pelo Pohang, feito que não ocorria há 21 anos. “Fui o melhor jogador do campeonato. Em toda a história da K-League, somente dois estrangeiros ganharam este prêmio”, reforça Andrezinho.
Mesmo do outro lado do mundo, o jogador nunca deixou de acompanhar o futebol brasileiro. A campanha do Inter na Libertadores de 2006 chamou a sua atenção, tanto que ele quase permaneceu na Ásia no período de férias do Pohang para assistir à final do Mundial Fifa, no Japão. Ao final do contrato na Coreia, Andrezinho decidiu voltar ao Brasil. O Inter entrou então na parada e o trouxe no início de 2008.
Sob o comando do técnico Tite, o meia iniciou uma espécie de reciclagem do seu estilo de jogo, readaptando-se ao futebol brasileiro. Teve que aprimorar a marcação e passou a dominar tanto a função de articulador como a de atacante. “Meu futebol cresceu muito com o Tite. Ganhei confiança e as coisas começaram a acontecer”, garante. Foi na goleada de 5 a 1 sobre o Paraná, no Beira-Rio, pela Copa do Brasil de 2008, que o jogador teve a sua primeira grande atuação, ao marcar dois gols e participar de outros dois. Ao longo da temporada, o meia foi sendo gradualmente aproveitado. Na reta final da Copa Sul-Americana, foi um dos destaques do time na conquista do título, ao substituir D’Alessandro e Guiñazu em jogos decisivos.
Em 2009, manteve o ritmo com atuações de luxo no Gauchão e Campeonato Brasileiro. Com passes precisos e gols importantes, Andrezinho é um dos principais jogadores do Inter. Nesta temporada, já marcou 14 gols e fez 13 assistências. Ao todo, são 18 gols com a camisa do Inter. "Estou sempre buscando melhorar meu desempenho. Sou muito feliz aqui no Inter, por isso quero sempre dar o meu melhor", garante o meia-atacante.