<P>OPINIÃO: EU MUDO, ELES MUDAM, NÓS MUDAMOS POUCO</P>
Data: 04/06/2008

Por Roberto Teixeira Siegmann
Vice-presidente de Serviços Especializados
É impossível imaginar a estrutura dos clubes de futebol sem mudanças. Seja na administração, seja no time, não há condição que se perpetue. O comum é que as mudanças, especialmente as que envolvem atletas e comissão técnica, sejam precedidas de alguma crise. Não é de espantar que no atual momento do Campeonato Brasileiro vários times já enfrentem alteração no comando técnico. Em alguns casos foram os resultados de campo o determinante.
Nós, no Inter, nos deparamos com mais uma mudança. O técnico Abel, após uma longa permanência no Internacional, aceitando proposta de um clube estrangeiro, afastou-se do seu cargo. Um primeiro aspecto merece a devida reflexão. Por mais amor, dedicação e trabalho que um técnico possa apresentar, estamos diante de profissionais do futebol. Se falamos em profissionais, falamos em interesses particulares e em oportunidades. O futebol, em que pese a predominância da paixão, não está imune aos negócios.
No nosso Colorado tem sido assim. Por aqui já passaram inúmeros técnicos e jogadores. Da mesma forma que, em algum momento, foram transferidos ou transferiram-se para outras agremiações. Muitos outros vieram, ficaram e foram. É a dinâmica do futebol, hoje globalizado, como de resto todas as demais atividades.
Em meio a tantas mudanças no futebol, é bom lembrar também que o nosso Inter é um dos clubes brasileiros que mais aposta na continuidade, na convicção. Se mudanças são inevitáveis, o Inter busca também a permanência por mais tempo possível. Os profissionais que obtêm sucesso no Beira-Rio são estimulados a permanecer. Muricy Ramalho ficou durante toda a temporada de 2003, retornou em 2004 para aqui ficar no clube até o final de 2005. Abel chegou em 2006 e permaneceu em toda temporada até a consagração dos títulos da Libertadores e do Mundial. No total, com uma interrupção de quatro meses, Abel ficou à frente do Inter por 25 meses.
O mesmo vale para os jogadores. Clemer está na sua sétima temporada. Fernandão e Alex vestem a camiseta colorada desde 2004. Edinho completou 250 partidas recentemente. Índio chegou em 2005 e aqui está desde então. O Inter, assim, busca também lutar contra as mudanças tão comuns no futebol.
Mas, se falamos em inevitáveis modificações na estrutura profissional, devemos reconhecer a perenidade da instituição. O Sport Club Internacional é permanente, assim como seu quadro social e seus torcedores. Esse é o maior patrimônio que possuímos. Não há nada mais significativo do que verificar a transmissão de preferência clubística de pai para filho e, assim, sucessivamente. Somos uma nação, a nação dos colorados e como tal temos as nossas identidades.
É óbvio que os profissionais no desempenho das suas atividades são contagiados pelo calor e ânimo dos torcedores. Quem pode resistir ao grito do Beira-Rio? Ficam as marcas, o respeito e a consideração. Mas, acima de tudo fica o Clube. Fica a imensa vontade de aglutinados, sem dispersar em nossos interesses, impulsionar o Colorado para momentos mais vitoriosos e derradeiros.
Vamos, vamos Inter...
Mas, do episódio que hoje desafia a escolha de um novo profissional, ressalta o nosso repúdio a interpretações indesejáveis. Interpretações que desrespeitam a verdade.
Como imaginar ou aceitar que um profissional que ajudou o Inter a conquistar as suas maiores glórias estivesse submerso em um mar de intranqüilidade e incompreensões, como alguns veículos e jornalistas noticiaram? É evidente que não. Trata-se de uma mesma pessoa e de um mesmo grupo.
A grandeza do Clube contrasta com especulações menores, com os profetas do consumado.
Vamos Inter... É esse o grito que nos une. É esse o nosso grito de guerra.