Olá, Marcos Duarte!

Inter vence na Bombonera e avança às semifinais da Copa Sul-Americana

Data: 06/11/2008

Por Alexandre Corrêa (texto) e
Alexandre Lops (fotos)
Enviados especiais/Buenos Aires
Edição: Felipe Silveira

O Internacional venceu o Boca Juniors por 2 a 1 na noite desta quinta-feira, na Bombonera, em Buenos Aires. Magrão e Alex marcaram os gols do time colorado. O Boca descontou com Riquelme, em um pênalti inexistente. Na soma dos jogos de ida e volta, o Inter aplicou 4 a 1 no time argentino e garantiu a classificação à semifinal da Copa Sul-Americana. O time colorado enfrentará o Chivas, do México, na fase seguinte.


Inter, de Magrão, venceu o Boca Juniors por 2 a 1 em Buenos Aires

Foi uma vitória épica. No confronto entre os vencedores da Libertadores de 2006 e 2007, deu Inter. O time colorado foi superior nos dois jogos, venceu com merecimento tanto no Beira-Rio quanto na lendária Bombonera e avançou às semifinais da Copa Sul-Americana pela segunda vez em quatro anos. Agora, o Inter enfrenta o Chivas Guadalajara. O primeiro jogo será na próxima quarta-feira (12/11) em Guadalajara, México. E o jogo de volta no Beira-Rio será na semana seguinte, dia 19. O ganhador desta série pega o vencedor do confronto entre Argentino Juniors e Estudiantes de La Plata.


Magrão (D) comemora: vitória histórica do Inter na Bombonera

Para se tornar o único brasileiro nas semifinais da Sul-Americana e bater o Boca na Bombonera pela primeira vez em competições internacionais desde 2003, rompendo uma série de 29 partidas de invencibilidade dos argentinos, o Inter jogou com raça, talento e organização. Não se intimidou com a presença de uma Bombonera tomada e com a pressão do time da casa, jogou com personalidade, passou até mesmo pelos erros de arbitragem de Oscar Ruiz e venceu bem.

A vitória começou com uma surpresa tática do técnico Tite. O treinador escalou o zagueiro Bolívar na lateral-direita e formou uma linha de quatro zagueiros com Bolívar, Índio, Álvaro e Marcão, que controlou o Boca Juniors o jogo inteiro. Dessa forma, permitiu ao time da casa apenas uma conclusão perigosa nos primeiros 45 minutos. Outro segredo desta equipe foi a linha de três volantes que bloqueou a frente da área com Edinho, Magrão e Guñazu. Estes dois últimos também foram fundamentais para avançarem e se juntarem ao trio ofensivo.

Por falar em trio ofensivo, D´Alessandro, Nilmar e Alex estão a cada partida adquirindo um entrosamento formidável. Dos pés destes três, o Inter pode chegar ao gol a qualquer momento. Na Bombonera, Nilmar criou o primeiro gol de Magrão e D´Alessandro deu passe milimétrico para o segundo gol marcado por Alex. Alex, por sinal, chegou ao seu 30º gol na temporada, uma marca impressionante.



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A chegada ao estádio

O Inter montou um esquema perfeito para chegar à Bombonera com tranqüilidade e sem atropelos. A saída do hotel foi antecipada em 20 minutos para evitar o trânsito mais pesado. A polícia foi abrindo caminho pelas avenidas movimentadas da capital argentina, fazendo com que o trajeto durasse somente 20 minutos. Na chegada, o presidente Vitorio Piffero, satisfeito com a ação administrativa, parabenizou o diretor executivo Newton Drummond.

Durante o trajeto, os jogadores colorados demonstravam confiança e cantavam músicas sempre puxadas pelo garoto Taison, um dos mais animados. Enquanto isso, os argentinos nas ruas que avistavam os jogadores colorados se dividiam. Os torcedores do River aplaudiam e faziam um sinal de uma faixa em diagonal no peito, demonstrando que torciam para a equipe de Nuñez. Já os torcedores do Boca xingavam bastante. D´Alessandro, a cada ofensa dos transeuntes, devolvia os impropérios. O gringo realmente demonstrava uma grande motivação para a partida, já antes do confronto.

A espera

No vestiário da Bombonera, os jogadores demonstravam confiança e concentração. Alguns, como o goleiro Lauro, preferia ficar mais quieto, concentrado. Já o zagueiro Índio chutava bolas contra a parede como forma de aquecimento. O técnico Tite passava instruções principalmente para a linha de zagueiros. 

Quando saiu a escalação do Boca Juniors, não houve surpresas. O time especulado pelo auxiliar técnico Cleber Xavier se confirmou. O time argentino iria jogar com dois meias de articulação e dois atacantes, em um esquema bem mais ofensivo do que atuou no Beira-Rio na primeira partida. No banco de reservas, o técnico Carlos Ischia deixou Riquelme, Viatri e Dátolo para a necessidade de uma vitória mais ampla.

Quando o Inter entrou em campo para o aquecimento, a vaia foi grande dos milhares de torcedores do Boca. Mas o Inter também encontrou apoio nas arquibancadas. E que apoio. Cerca de 2 mil colorados estiveram na Bombonera para apoiar o time.


Torcida colorada ficou postada em um dos anéis superiores da Bombonera

Ao som de ?Welcome to the Jungle?, hit do grupo Guns ´n´ Roses, que quer dizer ?Bem vindo à Selva?, o sistema de som anunciou a partida. Mais tarde, quando enumerou os dois times, pôde-se perceber o alvo da torcida local. A vaia foi grande quando se pronunciou o nome de D´Alessandro, inimigo da época que atuava no River.
Antes de a bola rolar, uma conversa no meio-campo chamou a atenção. Nilmar, D´Alessandro e Alex se aproximaram para as últimas combinações. Dos pés destes três nasceram as principais ações ofensivas do Inter na partida.

O jogo

O Inter mostrou que não iria ficar atrás logo no começo. Aos 2min40seg, depois de boa troca de passes, Marcão cruzou e Garcia defendeu. Aos 4min, D´Alessandro arrancou e sofreu falta. A torcida vaiava o meia argentino do Inter. Trinta segundos depois, Magrão chutou de fora da área ao lado do gol.

A primeira investida mais forte do Boca só ocorreu aos 8min, quando Gracian pegou rebote de fora da área e concluiu ao lado do gol. Um minuto depois, Mouche cruzou da direita para Lauro sair bem do gol. Aos 12min, o primeiro contra-ataque forte do Inter, uma das armas durante todo o confronto. Alex roubou a bola e lançou para Nilmar. O atacante correu, mas o goleiro Garcia chegou antes e conseguiu defender. Dois minutos mais tarde, D´Alessandro cobrou escanteio, e a bola quase sobrou para Bolívar na área.

O Inter controlava o jogo com boa marcação. Guiñazu roubava bolas, marcava com eficiência e puxava os contra-ataques. Ao seu lado, Magrão, outro grande nome do jogo, também marcava e saía para o ataque. Os laterais Bolívar e Marcão, além de fecharem bem atrás, apareciam na frente também.

Aos 25min, Gaitán avançou pela esquerda e chutou se ângulo por cima. Dois minutos depois, cruzamento da direita para Lauro defender tranqüilo. O goleiro colorado foi uma grande presença da partida com boas defesas e também ótimas saídas do gol, se aproveitando da sua estatura.


Lauro defende cobrança de falta de Riquelme, que entrou na etapa final: goleiro teve atuação exuberante na capital argentina

A partida estava cadenciada pelo Inter. O Boca não conseguia pressionar. Aos 31min, Gracian recebeu bom passe na área e quando iria chutar, Magrão surgiu e fez um corte perfeito. Aos 33, a melhor chance do Boca. Mouche fez jogada de ponteiro, pela direita, e cruzou para Figueroa, livre na pequena área, concluir de cabeça por cima. Nas arquibancadas, os torcedores argentinos socavam o ar e não acreditavam na chance perdida.

Um minuto depois, o volante González arriscou de fora da área para boa defesa de Lauro. No escanteio cobrado em seguida, Forlin cabeceou ao lado. O Inter respondeu aos 35min30seg com bom avanço de Bolívar pela direita. O lateral cruzou para Nilmar cabecear e Garcia defender.

Aos 43min, Alex cobrou falta da intermediária por cima. Aos 46, Gracian cobrou falta da esquerda e Munõz concluiu para grande defesa de Lauro com os pés. Foi a última chance da etapa.

No intervalo, o técnico Carlos Ischia decidiu avançar ainda mais a equipe em busca dos gols que poderiam salvar o time argentino. Retirou o meio-campista Cardozo e colocou o centroavante Viatri, goleador da equipe no Torneio Apertura. Enquanto isso, o sistema de som anunciava a presença dos roqueiros do grupo Duran Duran, que fazem show nesta sexta-feira em Buenos Aires.

Se, na teoria, era o Boca que iria atacar mais na etapa final, foi o Inter quem chegou ao primeiro gol. Nilmar recebeu passe na direita e cruzou na medida para Magrão. O volante concluiu com precisão no alto. A bola tocou no travessão e quicou dentro do gol. Por via das dúvidas, porém, Magrão foi lá e completou para dentro do gol de vez.


Promessa: Magrão beija o braço com o nome dos filhos

Na comemoração, o jogador beijou os braços que contêm tatuagens com os nomes dos seus filhos ? os garotos tinham pedido ao jogador no final de semana marcar um gol. E o papai Magrão cumpriu o prometido. Depois, correu e direção à torcida do Inter, deu um salto e um soco no ar, no melhor estilo de comemoração Pelé, e se ajoelhou no gramado. Festa dos colorados na Bombonera.

Aos 7min, Calvo concluiu por cima, depois de boa troca de passes. Um minuto depois, o Boca tratou de se jogar pra frente de vez. Colocou Riquelme e Dátolo nas vagas de Gracian e Gaitán. A torcida local se empolgou e gritou o nome do homem que marcou três gols nas finais da Libertadores do ano passado.

Aos 11min, Dátolo entrou na área e se atirou ao solo. O juiz colombiano Oscar Ruiz incrivelmente marcou o pênalti inexistente. Na cobrança, um minuto depois, Lauro saltou certinho no canto, mas Riquelme chutou bem e empatou o jogo.

O Inter não arrefeceu com o prejuízo da arbitragem e tratou de continuar jogando com competência. Aos 14min, Figueroa desviou de cabeça cruzamento e Lauro defendeu. Aos 19min, novo cruzamento para Figueroa cabecear por cima. Nesse momento, a torcida perdeu a paciência com o centroavante e começou a xingá-lo.

O Inter seguia bem no jogo. Aos 19min40seg, Nilmar roubou a bola e tocou para Alex que viu Magrão entrando na área novamente. O jogador ganhou da defesa na raça e concluiu prensado com a defesa para escanteio. Quando D´Alessandro foi tentar cobrar o escanteio, voou uma chuva de objetos sobre ele. Ao invés de o árbitro Oscar Ruiz proteger o jogador e pedir que aumentasse a segurança ali, mandou o meia cobrar assim mesmo. Debaixo de vários objetos, lá foi D´Alessandro cobrar o escanteio então.


Nilmar deu trabalho à zaga do Boca Juniors

Aos 21min30seg, Calvo recebeu na área e concluiu para nova boa defesa de Lauro. Na metade da etapa final, o Inter seguia controlando o jogo. E com a entrada de Riquelme e Dátolo os espaços para os contra-ataques se multiplicaram para a equipe de Tite. Já o time da casa não tinha espaço algum. Então tratava de alçar bolas na área para o goleiro Lauro defender sem problemas.

Aos 26min30seg, Nilmar foi derrubado na área e o juiz Oscar Ruiz, pra variar, se equivocou de novo e não marcou o pênalti. Novo prejuízo de arbitragem contra o Inter, que mesmo assim seguiu em cima do Boca. Na seqüência, aos 27min, Alex deu bom passe para D´Alessandro, ao lado da área. O meia devolveu para Alex com um passe milimétrico e rasteiro. O meia chutou cruzado e marcou o segundo gol colorado. Na comemoração, Alex, Nilmar, D´Alessandro e Guiñazu se atiraram ao solo e se abraçaram. Era o gol da classificação. Alex marcava ali o seu 30º na temporada e o terceiro diante do Boca Juniors em três partidas. Alex foi o carrasco do Boca.


Jogadores comemoraram intensamente o gol da vitória em Buenos Aires

O Boca então começou a perder a cabeça de vez. Aos 28min30seg, Mouche começou a xingar D´Alessandro, que devolveu as ofensas. Aos 29min, o juiz inventou uma falta para o Boca na meia-lua da área colorada. Riquelme cobrou forte no canto, um minuto depois, e Lauro se esticou todo para fazer outra grande defesa.

Aos 31min, D´Alessandro deixou o gramado para a entrada de Taison. O jogador argentino olhou então para a torcida colorada, que gritava o seu nome, e aplaudiu de volta. O jogador deixava a Bombonera consagrado. ?Ganhar do Boca na Bombonera é especial para mim?, falou o jogador depois da partida.


D'Alessandro, o craque argentino do Inter

Aos 32min, Alex fez grande jogada pela direita, driblou um zagueiro, mas concluiu fraco para a defesa de Garcia. O Inter dominava completamente a partida, trocava passes diante de um Boca batido. Aos 39min, parte da torcida local começou a deixar o estádio. Um minuto mais tarde, Forlin fez falta violenta e foi expulso. Aos 43min40seg, Alex deu uma janelinha humilhante em Figueroa e achou Nilmar na área O atacante girou e chutou prensado com a defesa. Aos 44min30seg, Magrão deixou o gramado para a entrada de Rosinei.

Oscar Ruiz então encerrou a partida. Festa colorada na Bombonera. A partir de então, o Inter se tornou o Brasil na Copa Sul-Americana. Agora o desafio é o Chivas Guadalajara, do México.

"O Inter aprendeu a jogar este tipo de competição. Queremos ser o primeiro time brasileiro a conquistar este título. Além disso, esta é a única taça que nos falta. O time está de parabéns, vamos seguir mobilizados na Sul-Americana", afirmou o presidente Vitorio Piffero.

"O placar do jogo reflete o desempenho dentro de campo. Foi uma vitória épica do Internacional", disse o técnico Tite.

"Foi um jogo difícil, como não poderia ser diferente na Bombonera. Isso valoriza ainda mais a vitória", afirmou o zagueiro Álvaro.

"Esta vitória vai nos dar muita confiança. Sempre me cobrei muito para ter boas atuações, por isso saio muito feliz daqui", comemorou o goleiro Lauro, um dos destaques da partida.

"O aspecto coletivo da equipe foi determinante nesta vitória. Todo mundo deu o máximo. O Inter evoluiu muito nos últimos anos, e isso acabou se refletindo aqui na Bombonera", elogiou Edinho.

"O Inter foi taticamente perfeito. Nos fechamos atrás e conseguimos segurar a pressão. Nos contra-ataques, fomos decisivos", analisou o assessor de futebol Fernando Carvalho.

 "Foi impressionante. Estou muito feliz por tudo que o Inter fez em campo. A torcida que veio até aqui também está de parabéns", ressaltou Guiñazu.

"Esta é mais uma data que nós colorados não esquecer jamais. O Inter mostrou sua força para o mundo", declarou o vice-presidente de futebol Giovanni Luigi.

"Venceu a força coletiva do Inter", definiu Magrão.

Boca Juniors (1): García; Barroso, Forlín, Muñoz e Calvo; Neri Cardozo (Viatri), González, Gaitán (Dátolo) e Gracián (Riquelme); Mouche e Figueroa. Técnico: Carlos Ischia.

Internacional (2): Lauro, Bolívar, Índio, Álvaro e Marcão; Edinho, Magrão (Rosinei), Guiñazu e D'Alessandro (Gustavo Nery); Nilmar e Alex. Técnico Tite.

Gols: Magrão (I), a 1 min do segundo tempo, Riquelme (B), de pênalti, aos 12min do segundo tempo, Alex (I), aos 27min do segundo tempo. 

Cartões amarelos: Álvaro (I); Forlín, Figueroa, Muñoz (B). Expulsão: Forlín (B).

Arbitragem: Oscar Ruiz, auxiliado por Abraham González e Rafael Rivas (trio colombiano).

Local: La Bombonera, Buenos Aires.

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