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Andrezinho: no embalo da bola

Data: 13/04/2009

História de vida de Andrezinho se confunde com sua carreira futebolística

Por Felipe Silveira

Na idade em que a maioria das crianças está brincando, sem compromissos com responsabilidades, Andrezinho já estava vestindo a camisa do Flamengo. Com apenas nove anos de idade, deixou a família na pequena cidade de São José do Rio Pardo-SP e foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Foi na escolhinha do ex-jogador Rondinelli (zagueiro raçudo que defendeu o Flamengo na década de 70), que Dé, como é conhecido pelos amigos, deu os primeiros toques na bola. Rondinelli, que até hoje é uma espécie de conselheiro pessoal do jogador, tinha um convênio com o clube carioca e o para fazer o teste na Gávea. Aprovado, passou a morar no alojamento do Flamengo. ?Tudo foi muito prematuro na minha vida. Era o jogador mais novo que morava no alojamento. Dependia dos jogadores mais velhos para fazer uma série de coisas, como aquecer o leite, por exemplo. Lembro que eu deitava na cama e chorava muito, sentindo falta do beijo de boa noite da minha mãe?, recorda.

A saudade da família só foi amenizada graças à parceria dos companheiros, que mais tarde viriam a se consagrar no futebol. Adriano, o Imperador, Ibson, André Bahia e Felipe Melo foram contemporâneos de Andrezinho no clube rubro-negro. ?Fiquei muito amigo do Adriano. Todos os finais de semana eu ía para a casa da mãe dele?, conta o meia-atacante colorado. Aos 15 anos, foi convocado, junto a Adriano, para a Seleção Sub-17. Um ano depois, já integrava o time profissional do Flamengo. As convocações para as seleções de base não cessaram: o jogador participou de sul-americanos e mundiais pelos times Sub-17 e Sub-20 e um torneio pela Sub-23, no Qatar.

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O sucesso prematuro do jogador, hoje com 25 anos, pode ser comprovado por números. Aos 20 anos, já havia defendido o Flamengo em 100 partidas. Andrezinho praticamente saltou da equipe juvenil para o time principal. Não demorou para que uma proposta surgisse para ele atuar no Exterior, mais precisamente do outro lado do mundo, no Pohang, da Coreia do Sul. Sem saber quase nada sobre seu novo destino, o jogador deixou mais uma vez tudo para trás na busca pela realização profissional. ?Fui para lá porque a proposta era irrecusável. O Flamengo passava por um momento difícil e eu abracei a causa?, revela.

Apesar das dificuldades com a língua e alimentação, Andrezinho acabou virando ídolo nos quatro anos em que ficou na Ásia. Já no primeiro ano, ganhou dois prêmios ao final do campeonato nacional, o de jogador revelação e melhor meio-campo. Teve também o melhor índice de assistências (19 passes para gols) da K-League, virtude bastante valorizada pelos sul-coreanos. Nas temporadas seguintes, foi três vezes o melhor meia, e no seu último ano na Coreia, participou da conquista do título nacional pelo Pohang, feito que não ocorria há 21 anos. ?Fui o melhor jogador do campeonato. Em toda a história da K-League, somente dois estrangeiros ganharam este prêmio?, reforça Andrezinho.

Mesmo do outro lado do mundo, o jogador nunca deixou de acompanhar o futebol brasileiro. A campanha do Inter na Libertadores de 2006 chamou a sua atenção, tanto que ele quase permaneceu na Ásia no período de férias do Pohang para assistir à final do Mundial Fifa, no Japão. Ao final do contrato na Coreia, Andrezinho decidiu voltar ao Brasil. Sempre atento ao mercado, o vice-presidente de futebol Fernando Carvalho, na época apenas colaborador do Inter, indicou a contratação do jogador no começo de 2008. ?O Fernando tem um olho clínico. Ele disse que me acompanha desde os juvenis, e falava de jogos que nem eu lembrava mais?, conta aos risos Andrezinho.

Sob o comando do técnico Tite, o meia iniciou uma espécie de reciclagem do seu estilo de jogo, readaptando-se ao futebol brasileiro. Teve que aprimorar a marcação e passou a dominar tanto a função de articulador como a de atacante. ?Meu futebol cresceu muito com o Tite. Ganhei confiança e as coisas começaram a acontecer?, garante. Foi na goleada de 5 a 1 sobre o Paraná, no Beira-Rio, pela Copa do Brasil de 2008, que o jogador teve a sua primeira grande atuação, ao marcar dois gols e participar de outros dois. Ao longo da temporada, o meia foi sendo gradualmente aproveitado. Na reta final da Copa Sul-Americana, foi um dos destaques do time na conquista do título, ao substituir D?Alessandro e Guiñazu em jogos decisivos.

Agora, na temporada 2009, vem chamando a atenção com atuações de luxo no Gauchão. Somente nos três primeiros meses do ano, Andrezinho já marcou oito gols, mais da metade do que fez desde que chegou ao Inter. O rótulo de ?12º jogador?, por vezes colocado pela imprensa, pelo fato dele ser o substituto imediato de D?Alessandro e Alex, quando este ainda estava no Inter, nunca incomodou Andrezinho. Pelo contrário. O meia está muito feliz com sua condição no grupo colorado. ?É claro que eu quero sempre jogar. Mas prefiro ser opção em um grupo forte como o do Inter do que ser a solução em um time cheio de carências?, garante.

A parceria com Kléber

Quem olha desavisadamente acha que eles são irmãos gêmeos, tamanha a semelhança física. As trancinhas no cabelo ajudam a reforçar ainda mais o visual similar entre Andrezinho e Kléber. Mas a identificação não fica restrita ao plano estético. ?A gente já tinha se enfrentado, mas eu nunca tinha falado mais do que cinco minutos com o Kléber. Mas quando ele chegou ao Inter, passamos a nos dar muito bem. Parece que a gente se conhece há muito tempo, somos muito parecidos na personalidade?, conta Andrezinho.


Kléber (E) e Andrezinho: semelhança no visual vira motivo de brincadeira da dupla

Quando Kléber foi convocado para a Seleção Brasileira, para os jogos contra Equador e Peru, Andrezinho não perdeu a chance de fazer a piada: ?Já que somos gêmeos, temos que fazer tudo igual. Tu também vai ter que me levar para a Seleção. E olha que eu sou pé quente?, brincou.

Ficha técnica:

Andrezinho

Nome: André Luiz Tavares
Nascimento: 30/07/1983 (Campinas-SP)
Partidas: 70
Gols: 12
Altura: 1m78cm
Peso: 68 quilos

* Números atualizados até 13/04/09

** Matéria publicada na edição de n° 37 da Revista do Inter

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