Manga retorna ao Beira-Rio depois de 25 anos
Data: 01/05/2010
Por Marcos Bertoncello (texto)
e Alexandre Lops (fotos)
A emoção de todos os títulos conquistados pelo Inter devem ter sido relembrados por Manga no seu retorno ao Beira-Rio na manhã deste sábado. Após 25 anos no Equador, o ex-goleiro bicampeão brasileiro pelo clube colorado na década de 70 dá início a sua nova jornada no Inter. Desta vez, como um supervisor da preparação de goleiros nas categorias de base.
O ídolo eterno do Internacional chegou a Porto Alegre depois de uma viagem longa, partindo da cidade Guayaquil, no Equador. Junto de sua esposa, desembarcou no Aeroporto Salgado Filho cerca de 11h da manhã, quando foi recebido pelo vice-presidente da Comunicação Social do Inter, Gelson Pires, que o acompanhou até o Estádio Beira-Rio. Logo na chegada, Manga concedeu entrevista coletiva à imprensa na Sala de Coletivas do Gigante.

Manga promete muito trabalho em sua volta ao Inter
"Estou realmente emocionado por voltar a minha casa. Nunca esquecerei das alegrias que vivi aqui. Fazia 25 anos que não botava meus pés em Porto Alegre. Da última vez, vim com um time equatoriano em 1985. Desde então, segui meus serviços no Equador", conta o ex-jogador. A respeito da sua função como supervisor dos goleiros na base colorada, Manga promete mostrar empenho à direção do Internacional. "Eu acre
dito que o presidente ficará feliz com meu trabalho no campo. Tentarei ensinar tudo que sei para os jovens daqui", projetou.
Um dos frutos do trabalho de Manga no Equador é o goleiro Cevallos, da LDU. O goleiro foi campeão da Taça Libertadores da América em 2008 em final disputada contra o Fluminense na decisão por pênaltis no Maracanã. Cevallos defendeu três cobranças e o seu time equatoriano levantou a taça. "Ele (Cevallos) foi meu aluno. Todos que estão na Seleção Equatoriana também foram. Esta experiência será importante para repassar nas divisões de base do Inter. Trabalharei com os garotos de 10 a 18 anos", concluiu.
Gelson Pires ainda explicou a 'contratação' de Manga para o Inter e detalhou suas funções. "O Fernando Carvalho (vice de futebol) teve uma conversa com ele em Guayaquil, quando o Inter enfrentou o Deportivo Quito na fase de grupos da Libertadores. O Manga será um observador dos goleiros da base: assistirá a treinos e conversará com os treinadores", esclareceu. Gelson Pires ainda confia na força do ídolo eterno para a obtenção de novos sócios colorados. "Além de trocar toda sua experiência no futebol, ficou acertado que ele viajará conosco pelos consulados Brasil afora para prestigiar os eventos dos nossos associados. Já tenho vários pedidos de email pedindo sua presença nos encontros, o que mostra todo seu carinho com a torcida do Internacional. Sem dúvidas, Manga faz parte da história de mais de 100 anos do Inter", afirmou.
Após a entrevista, o ex-goleiro aproveitou para dar uma passada no treinamento do grupo principal de Jorge Fossati no campo suplementar do Beira-Rio. O ídolo colorado tirou fotos e demonstrou no treino todo seu reconhecimento pelo qual a direção colorada o trouxe de volta.

Manga tira foto com o preparador físico do Inter, Alejandro Valenzuela

Torcedores presentes no treino do Internacional saudaram o ídolo eterno do clube
A história de um goleiro vencedor - Seção 'Craques' - Site do Inter
Haílton Corrêa Arruda, o Manga, foi um goleiro marcante na história do Inter. 'Manguita', como também era conhecido, começou a carreira no Sport, em 1955. No final da década de 50, aos 22 anos, transferiu-se para o Botafogo, clube pelo qual escreveu uma sólida história, conquistando quatro campeonatos estaduais e três torneios Rio-São Paulo. Costumava fechar o gol contra o Flamengo, além de dar declarações que mexiam com o brio do rubro-negro. "O leite das crianças está garantido", dizia Manga antes dos clássicos, dando a entender que o jogo já estava ganho se dependesse de suas atuações.
Manga chegou ao Inter em 1974, e nos poucos anos em que ficou no Beira-Rio, entrou definitivamente para a história centenária do clube colorado. As mãos imensas com os dedos tortos faziam defesas elásticas e arrojadas. Era também excelente na reposição de bola. Em certas cobranças de falta, preferia abrir mão da barreira, de modo a ficar cara a cara com o batedor. Não tinha chute de efeito que enganasse Manga no auge da sua carreira. Era uma goleiro praticamente perfeito.
Foi três vezes campeão estadual (1975, 75 e 76) nos três anos em que defendeu o Inter. Mas foi pela conquista do bicampeonato nacional (75 e 76) que para sempre será lembrado. Manga, o 'Fenômeno', foi um gigante debaixo das traves nas duas campanhas vitoriosas no Campeonato Brasileiro, comprovando a máxima do futebol de que todo time começa com um grande goleiro.