Educação e respeito em Guadalajara
Data: 17/08/2010
Por Roberto Siegmann
Vice-presidente de serviços especializados e assessor de futebol
Pude testemunhar na partida realizada com o Chivas em Guadalajara a forma como agiu a torcida mexicana. Sim, o
Chivas conta com a maior torcida no México. São milhões de aficionados, de torcedores apaixonados pelo time.
Achei estranho que, já no hotel onde estávamos hospedados, no dia anterior ao jogo, transitavam pelo saguão torcedores com a camisa do INTER e outros com a camiseta do Chivas. Riam, trocavam cumprimentos e brincadeiras.
À medida que a partida se aproximava, testemunhei nos canais de esporte um grande respeito ao nosso INTER. Nenhuma brincadeira ou comentário que diminuísse a nossa equipe.
Nos treinos, nos deslocamentos, nenhuma agressão, nenhum palavrão, nenhuma provocação. Transitamos livremente por Guadalajara.
Na noite do jogo, um espetáculo de educação e respeito.
No início temi pelo fato de ocuparmos um camarote que praticamente não contava com divisória com os outros dois com os quais fazia limite, repletos de torcedores do Chivas.
Veio o primeiro gol deles, gritos e festejos. Pronto, como esperava a nossa reação, diante do nervosismo, fiquei imaginando o que ocorreria quando do gol do INTER. Lá estavam poucos torcedores do Inter, praticamente ocupando, lado a lado, os mesmos lugares juntamente com os mexicanos.
Veio o gol. Pulei, gritei, gesticulei, assim como toda a nossa torcida.
Com o canto do olho dei uma espiada para o lado. Me deparei com um rapaz mexicano, ostentando a camiseta do Chivas e me oferecendo alegremente um copo de tequila.
Veio o segundo gol do INTER, virada! Novos festejos no camarote da direção e, ao lado, o mexicano estendendo a mão para cumprimentar pela vitória.
Não houve o tradicional foguetório no hotel que de nada adianta, salvo incomodar vizinhos e pessoas que precisam descansar para o trabalho do dia seguinte. Não houve um tapa ou objeto lançado no ônibus, não houve um palavrão.
Aquilo me fez refletir muito sobre o comportamento que adotamos muitas vezes por aqui. Além disso, me senti encorajado a pedir aos nossos torcedores, às torcidas organizadas, aos colorados de Porto Alegre, para que tratem bem os nossos irmãos mexicanos. Há espaço no futebol para a educação e o respeito com o adversário.