Conquista do Mundial Fifa completa cinco anos
Data: 15/12/2011
Conquista do Mundial Fifa chega ao seu quinto aniversário com lembranças inesquecíveis para os colorados
Por Felipe Silveira
Fotos: Daniel Boucinha e Jefferson Bernardes/Vipcomm
O dia 17 de dezembro de 2006 amanheceu abafado em Porto Alegre. Pelas ruas da capital gaúcha, a atmosfera era de Copa do Mundo para os colorados, e apesar do horário ser atípico para uma partida de futebol, as ruas e os bares estavam cheios. Havia grande mobilização da torcida para o maior jogo da história do Internacional. Do outro lado do mundo, em Yokohama, no Japão, já era noite, e todos aguardavam com expectativa pelo início do duelo entre os campeões da América e da Europa. Inter e Barcelona eram os grandes finalistas do Mundial de Clubes Fifa.

Fernandão beija a taça do Mundial Fifa no dia 17 de dezembro de 2006
Anos antes, talvez nem o mais fanático e otimista dos colorados poderia imaginar tal acontecimento. Mas o evento se tornara real e estava sendo transmitido via satélite para os televisores de todo o planeta. O mundo conhecia o Inter. Era hora de lutar pela maior das taças.
Vídeo: veja a final na íntegra no Globoesporte.com
Nunca faltou confiança
O Inter cruzou o globo determinado a lutar até o último minuto pelo inédito título mundial. Era uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada, afinal, não foi fácil chegar até lá. Para tanto, os jogadores mantiveram uma grande mobilização desde o primeiro dia em solo japonês. “A gente acreditava o tempo todo que poderia ser campeão. Em nenhum momento pensamos que não daria. O grupo foi muito unido”, recorda Fernandão, capitão da conquista e hoje diretor técnico de futebol do Clube.

Fernandão um dia antes da finalíssima: "Confiem em nós"
Na véspera da decisão com o Barcelona, o próprio Fernandão veio a público pedir que os torcedores que estavam no Brasil confiassem no sonho do título. “Acreditem em nós”, afirmou o ídolo em entrevista ao site oficial do Inter. “Sempre acreditei na força do pensamento positivo. Apesar de ser o temível Barcelona, eram onze contra onze , então tudo era possível. Também sabia que a energia positiva dos milhões de colorados no Brasil e no mundo faria a diferença”, destaca o ex-jogador.
O duelo histórico
E o tão sonhado dia chegou. Inter e Barcelona se encontraram pela segunda vez na história (a primeira havia sido em 1982, na Taça Joan Gamper), agora para decidir o Mundial de Clubes Fifa. Estádio Nacional de Yokohama lotado. Cerimonial ao melhor estilo Copa do Mundo. Era o jogo que todo time sonhava em disputar, e lá estava o Colorado!

Iarley no inesquecível confronto com o Barcelona
Assim que a partida começou, o que se viu foi um jogo de estratégia, com ambos os times se estudando. Ninguém queria se expor de cara. Porém, aos poucos, os jogadores foram se soltando e a finalíssima ficou emocionante. O Inter tinha Iarley e Alexandre Pato no ataque, decisão tática que passou pelo capitão Fernandão. “Conversando com o Abel Braga (então técnico), achei melhor atuar no meio-campo. Eu sabia que o jogo seria muito mais de contra-ataque do que de bola parada. Precisávamos da velocidade do Pato e do Iarley na frente”, argumenta o ex-capitão colorado.
E foi exatamente esta partida que se desenvolveu no Japão. O Barça era perigoso nas suas investidas, mas o Inter não deixava por menos e também tinha contundência ofensiva nos contra-golpes. No segundo tempo, o ritmo do jogo caiu um pouco. Aos 30min, Fernandão deixou o jogo para a entrada de quem viria a ser o herói do inédito título: o atacante Adriano Gabiru. “Deixei o campo extenuado, já que tinha me dedicado ao máximo na missão tática de ajudar na marcação. E quem entrou no meu lugar decidiu a partida”, lembra Fernandão. Seis minutos depois de sair do banco de reservas, Gabiru protagonizou o gol mais importante dos 102 anos de história do Inter.

Adriano Gabiru (C) vibra com o gol histótico em Yokohama
Mas tudo começou lá atrás, no setor defensivo, com Índio dando um chutão para frente. No meio do campo, Luiz Adriano, que havia entrado no lugar de Pato, desviou sutilmente de cabeça e a bola sobrou para Iarley. O atacante partiu em velocidade para cima dos marcadores, e com um drible fantástico, limpou a jogada e acionou Gabiru, que invadiu a área e chutou na saída do goleiro Valdes para fazer 1 a 0. A história colorada era magistralmente escrita no Japão.
O mundo vermelho
Heroicamente, o Inter segurou o resultado até o apito final, quando a explosão de alegria tomou conta de todos os colorados espalhados pelo mundo. No gramado de Yokohama, a comoção dos jogadores pela conquista histórica era grande. A maioria chorava de felicidade pelo feito alcançado em terras distantes. Recompostos da emoção, todos subiram no pódio para receber as medalhas de campeões.
O relógio marcava 21h38 do Japão, 10h38min do Brasil, quando Fernandão ergueu a taça de campeão de do mundo. O Inter entrava para o seleto grupo dos melhores times do planeta da competição organizada pela Fifa. Para saber mais sobre esta conquista, clique aqui!

Grupo colorado comemora a conquista do Mundial Fifa em 2006
Retorno apoteótico
De volta ao Brasil dois dias depois da decisão, o Inter teve uma recepção extraordinária, com milhares de colorados tomando as ruas desde o desembarque na Base Aérea de Canoas até o Beira-Rio. As arquibancadas do Gigante estavam lotadas, como se fora um dia de jogo, para recepcionar os heróis. “Foi impressionante a nossa chegada ao estádio. Ali percebi a real dimensão do título. Foi uma festa inesquecível”, rememora Fernandão, que comandou a celebração entoando uma canção que foi o hino da conquista – ‘Colorado, colorado. Nada vai nos separar. Somos todos teus seguidores. Para sempre vou te amar’. “Me deram o microfone para eu falar com a torcida. Tive a ideia de cantar, pois esta música nos acompanhou durante toda a jornada no Japão”, conta o ídolo. Clique aqui e relembre esta recepção inesquecível.

De volta para casa: Clemer exibe a taça do Mundial no Beira-Rio
Ficha da decisão
Internacional (1): Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Alex (Vargas) e Fernandão (Adriano); Alexandre Pato (Luiz Adriano) e Iarley. Técnico: Abel Braga.
Barcelona (0): Valdes; Zambrotta (Beletti), Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Motta (Xavi), Iniesta e Deco; Giuly, Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho. Técnico: Frank Rijkaard.
Gol: Adriano (I), aos 36min do segundo tempo. Cartões amarelos: Índio, Iarley e Adriano (I); Motta (B). Público: 67.128. Arbitragem: Carlos Batres (Guatemala), auxiliado por Carlos Pastrana (Honduras) e Leonel Leal (Costa Rica). Local: Estádio Internacional de Yokohama, no Japão.

Em pé: Alexandre Pato, Índio, Edinho, Wellington Monteiro, Fabiano Eller e Clemer
Agachados: Ceará, Iarley, Alex, Fernandão e Rubens Cardoso